eis que se na rua o céu não chora,
minha nuvem chove nesta sala.
menino, tentei evitar
mas a coisa cresceu e vou ter que falar
gritei lá da rua
que a culpa foi tua
mas penso direito
(com tanto defeito),
trouxestes pra mim
embrulhado em cetim
um raio de luz
do bem, me conduz
e me encheu de alegria.
sabe, menino
já quis te perder.
brigar de morder,
dizer que não dá.
que em mim vingará
tristeza profunda
se de presença me inunda
sem nem perguntar.
se quero falar
que a culpa foi tua
gritei la da rua
- não invada o meu mundo se não for pra ficar!
a gente tem mesmo é que fazer o que dá na telha
e dizer o que tem vontade
pra acabar esse zumbido na orelha
que nos faz viver pela metade
de ficar remoendo incertezas
e brigar escondendo belezas
na distração da realidade.
coisa boa é sentir saudade de quem inspira
quem alimenta
quem transborda
quem faz uma emoção que só me cabe se na ponta dos pés,
se de queixo erguido
se de braços abertos
dar vontade de dançar de olhos fechados
de me movimentar esticando a alma
tornando fácil abraçar o mundo
sorrir nas nuvens
encostar no fruto mais alto dessas folhas em forma de coração.

foto: igor almeida.
as saudades que me foram impostas
sempre foram fáceis de lidar
simplesmente dar as costas
que um dia iam acabar.
duas delas são pra sempre
daí, sem escolha
embalei em plastico-bolha
e escondi n’algum lugar.
essa nova que me impões
tem claro prazo de validade.
não fez morada estabelecida
mas vem como brisa contida
na distração d’um fim de tarde.
intermitente e pontual
se camufla num cenário montado
pra esconder o nózin apertado
de alfinetada casual.
na contra mão, aumenta o brio.
qu’em luta extrema com o temor,
dá a vontade de viver.
parece mais nuvem de frio
se bate o sol, difrata cor,
mas no fundo quer chover.
e assim,
tomando um laço desse sentimento
será com total consentimento
que coadjuvarei na sua chegada.
e com olhos de uma noite enluarada
bastará saber que estás por perto
pra que tudo o que se apresenta incerto
pareça escolha acertada.
de todo belo e simples, tempo pode ser que nao dê. entre o atraso e o mar, melodias sanfonadas, capturas foto-graficas e sequencias cinematografas. nao reclamo, exceto que desejei cafe. tinhacabado.
tudo sem acento: ode as sutilezas.
evito virgulas, esses intervalos por onde o pensamento escapa.
pequenos verdes vejo a grama da maquete do teu sitio. a rosca do vidro, uma lampada vira cesta do balão e sai voando porai. sustenta o ceu, parece um palco.
sai do ceu pra palquear.